Doze anos após os atentados em Nova York e Washington, em 11 de Setembro, o mundo ainda convive com os impactos da tragédia. A mensagem dos terroristas naquela fatídica manhã foi muito clara ao escolher os dois centros de força dos EUA, o World Trade Center (economia) e o Pentágono (segurança). O ato terrorista traça uma linha divisória entre duas épocas. O governo Bush iniciou uma escalada de vigilância contra cidadãos de todas as nacionalidades, num esquema de espionagem denunciado recentemente pelo ex-consultor da Agência de Segurança Nacional (NSA), Edward Snowden. O governo norte-americano justifica as suas ações como antiterroristas, mas documentos que vazaram da NSA atestam que as intenções não eram apenas de defesa, mas principalmente econômicas e comerciais. No Brasil, a Petrobras foi alvo da espionagem da NSA e um dos leilões mais aguardados, o do pré-sal do Campo de Libra, corre o risco de ser suspenso pelo governo brasileiro. O especialista em Relações Internacionais, Severino Cabral, considera que a espionagem sempre existiu na relação entre países e tinha até uma "aura" romântica. O processo desencadeado pelas revelações do Edward Snowden aconteceu pela maior visibilidade que os meios de comunicação deram ao assunto neste momento, mas as empresas de dados como o Google já estão comprometidas com o esquema de fornecimento de informações há mais tempo, segundo o especialista.
"Desde 2001, quando foi implantada a 'Guerra contra o terror', os Estados Unidos vêm observando todas as nações, numa ação preventiva contra o terrorismo. Já com relação à Petrobras, o que mais chama atenção do governo americano é o potencial da estatal, que pode levar o Brasil ao bloco dos países mais desenvolvidos", comentou Severino.
As imagens de destruição que o mundo presenciou ao vivo pela TV, ainda a tempo de registrar a colisão do segundo Boeing contra a Torre Sul do World Trade Center, no momento em que 20 mil pessoas, aproximadamente, trabalhavam no maior complexo econômico americano, marcaram o início de uma nova “Era do Terror”, proclamada pelo governo norte-americano. O cenário do desmoronamento, os focos de incêndio e muito calor permaneceram por muitos dias, se eternizaram na memória e serão lembrados nas páginas dos livros de história. A reação extremada do governo americano não atingiu apenas a civilização islâmica, responsável pelos ataques, mas interferiu na relação dos EUA com todos os países que tinham qualquer relação com terroristas, a começar pelo Afeganistão, anunciando sanções rigorosas.
Na “guerra contra o terror”, o governo Bush não mediu esforços para revidar o golpe do 11 de Setembro. Nem os cidadãos americanos escaparam do “pente fino” da segurança nacional. A Lei Patriótica permitiu à Presidência mandar prender qualquer suspeito de terrorismo, sem acusação prévia. O passo seguinte foram os grampos telefônicos e de e-mails de cidadãos, sem permissão judicial. A quebra dos limites democráticos e da privacidade dos americanos consumiu dos cofres do governo mais de US$ 5 trilhões e provocou um buraco nas contas públicas do país.
No primeiro mandato de George W. Bush foi autorizado o programa Patriot Act., um dispositivo que permite a invasão de lares, espionagem e interrogatórios de cidadãos, em caso de ameaça real ou hipotética de terrorismo contra o país. A opinião pública pressionou com fortes críticas ao programa e o governo voltou na determinação. Em 2007, os Estados Unidos sancionam o Ato de Proteção da América, permitindo vigiar alvos com potencial ofensivo. Essa legislação foi renovada pelo presidente Barack Obama, no final do ano passado.
A matéria publicada no jornal britânico The Guardian com os dados revelados por Edward Snowden causou um desconforto no cenário internacional. Os documentos vazados são datados de abril de 2013 e comprovam que, desde o ano de 2007, o governo americano vem inspecionando correspondências e telefonemas de pessoas em diversos países. O pretexto: controle da segurança após os atentados de 11 de Setembro. O governo dos EUA justificou que o programa da Agência de Segurança Nacional (NSA) é apenas filtrar comunicações sensíveis ou perigosas, transmitidas por servidores localizados no país. Porém, a maioria das empresas de Internet tem suas sedes em território norte-americano, aumentando com isso a abrangência das investigações da NSA.
Brasil no alvo das espionagens: questão de segurança ou econômica?
Os documentos sigilosos da Agência de Segurança Nacional (NSA) que foram entregues por Edward Snowden à imprensa brasileira comprovam que a Petrobras foi alvo das espionagens. A rede privada de computadores da estatal foi invadida pela NSA, contrariando a informação do governo norte-americano de que as informações obtidas pela agência de inteligência são exclusivamente referentes à segurança do país após os atentados.
Durante o encontro dos 20 países mais desenvolvidos do mundo (G20), a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, pediu explicações ao presidente norte-americano, Barack Obama, sobre as denúncias de espionagem. O Palácio do Planalto anunciou que Obama se comprometeu a dar as devidas explicações até esta quarta (11 de setembro).
No Congresso, as denúncias também causaram consequências e o senador Randolfe Rodrigues (Psol/AP) disse nesta terça-feira (10/9) que um mandado de segurança para suspender o leilão do pré-sal, que será realizado em outubro, deve ser protocolado no Supremo Tribunal Federal, em poucos dias. Os senadores afirmaram que a presidente Dilma Rousseff não descarta a possibilidade de o leilão ser suspenso.
Para o senador Rodrigo Rollemberg, é muito provável que o esquema de espionagem tenha obtido informações estratégicas sobre o Campo de Libra, para o leilão do pré-sal, oferecendo vantagens para as empresas americanas no evento. "Portanto, quero propor ao governo que estude a possibilidade de proibir a participação de empresas americanas no próximo leilão", disse Rollemberg.
Brasil, espionagem e crise internacional
A política externa do Brasil é muito transparente e sempre toma rumos que levam à decisões pacíficas, pautadas no diálogo, explica o especialista em Relações Internacionais, Severino Cabral. Para ele, o Brasil vive um momento de "sobressalto" em função da crise mundial e em meio às denúncias de espionagem que alcançaram o território nacional. "O que podemos esperar do governo brasileiro é uma intervenção para garantir a soberania nacional, com a abertura de diálogos, cobranças de explicações sobre as ações que ferem o nosso regime democrático. Essa é a natureza da nossa política externa", disse Severino.
Avaliando o cenário externo, Severino remete ao primeiro governo do presidente norte-americano George Bush para explicar as sucessivas guerras que estão desencadeando a grande crise no mercado mundial, comprometendo a economia de diversos países, especialmente daqueles que apresentaram um expressivo desenvolvimento nos últimos tempos, como os emergentes Brasil, China e Turquia. Na opinião do especialista, os Estados Unidos provocou um desajuste na ordem mundial desde a Guerra Fria e as suas relações "obscuras" com alguns países estremessem ainda mais a economia mundial e gera um clima de tensão constante, como aconteceu com no caso das denúncias de espionagem de dados e escutas telefônicas.
As medidas do governo americano para manter fortes os seus tentáculos e status quo demonstram um desespero que levam à medidas extremadas, como a espionagem e as ameças de ataques a outros países. "O que está acontecendo é que os republicanos não estão conseguindo resolver os seus problemas internos, como a crise na produção industrial, a falta de emprego, e estão exportando essas questões e gerando um desconforto e instabilidade no ambiente internacional", explicou Severino.
O especialista comentou a "rede de guerras eminentes" que estão explodindo no cenário internacional e comprometendo de forma profunda a relação entre os países. Um dos problemas mais graves é o possível ataque à Síria. Em meio às denúncias de espionagem, as desculpas do parlamento norte-americano de que as medidas de segurança são apenas preventivas não são suficientes para acalmar os ânimos dos países relacionados na lista de "espionados" e as intenções dos Estados Unidos com os possíveis ataques à Síria também foram questionados, especialmente quando o potente arsenal bélico sírio está em jogo.
"E qual a posição do Brasil com relação a esse cenário?", questiona Severino. "O Brasil está no bloco dos países em pleno desenvolvimento e precisa muito da estabilidade no mercado econômico internacional para preservar as suas negociações", explica o especialista. Apesar do foco da guerra estar no Oriente Médio e seus violentos confrontos, o Brasil também tem as suas guerras internas. Severino comenta que o pré-sal é um dos pontos de maior tensão da administração Dilma Rousseff, pois provoca movimentos especulativos e exige do governo critérios e medidas cautelosas no seu gerenciamento. "O Brasil pode ser uma das maiores potências energéticas, porque seu território é rico em sal, água, gás e outros produtos ricos. Se nos unirmos aos nossos vizinhos, podemos formar um dos blocos mais fortes do mundo. Essa é uma saída viável e real. Claro que isso chama a atenção dos Estados Unidos, que vai tentar acompanhar de perto os passos da Petrobras e do pré-sal", disse Severino.
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