NOTA DO EDITOR:

A publicação do texto de autoria do Juiz Sérgio Luiz Junkes tem o propósito de estimular a capacidade de pensar de uma sociedade cuja mesma em sua maioria segue omissa, conformada, temerosa ou subserviente ao poder público, sem sequer ter a coragem de lutar de forma pacífica por melhorias em todas as áreas da administração pública em seu país, em seu estado e, sobretudo em seu município, local onde deveriam ter o seu voto ainda mais honrado, valorizado, respeitado e acima de tudo conquistado dia-a-dia por aqueles que foram eleitos no último pleito, isto devido a proximidade diária que esses políticos tem com você eleitor(a). Voto este, que a cada nova eleição é literalmente disputado em três meses de campanha eleitoral, das mais variadas formas imagináveis, inclusive às sórdidas, com o único intuito de se elegerem ou reelegerem. 

Se você não tiver a coragem de dar um basta aos políticos que vêem você apenas como um dos degraus necessários para alcançarem os seus objetivos, tenha a certeza de uma coisa, se você continuar votando com base em critérios impostos a você, e não por critérios coerentes de sua própria avaliação e convicção, os mandos e desmandos apenas trocarão de protagonistas.

Há, certamente, muitas razões para refletirmos sobre as recentes manifestações da sociedade brasileira, bem como do último 7 de setembro, para quem sabe delas extrairmos lições que nos expliquem melhor as transformações que o mundo contemporâneo e, especialmente, o nosso país vivenciam. O grito pela independência, que outrora foi decisivo para que o Brasil rompesse suas amarras e aplacasse a sua subserviência à Coroa portuguesa, hoje se afigura na voz das ruas.

Importante notar que o desinteresse de parte da população em participar tanto das comemorações alusivas ao Dia da Independência quanto dos protestos que se espalham país afora parece não mais ter a ver com uma espécie de alienação cívica. Certa ou errada, a verdade é que essa apatia pode ser entendida como uma forma de contestação, como um recado que deve ser analisado com especial atenção, sobretudo por aqueles que militam na vida pública. Sejamos francos: há um cansaço coletivo, sobretudo em relação às instituições, aos homens públicos, que, por ação ou omissão, permitiram que a corrupção se tornasse regra e não exceção em todos os âmbitos do poder.

Instalou-se em nosso país – e é contra isso que agora a juventude se rebela e os mais velhos aplaudem – uma cultura perniciosa, muito bem definida por Raymundo Faoro, em sua célebre obra “Os donos do poder”, como patrimonialismo, que é justamente a abjeta mistura entre interesses públicos e privados. Difícil acreditar e mais ainda saber se este ciclo está perto do fim. De qualquer modo, algo mudou depois que milhares de cidadãos foram para as ruas protestar.


Ainda que sem muito foco, a julgar pela extensa pauta apresentada, o recado foi muito claro, no sentido de que as mudanças são inadiáveis. Estas, ainda que tímidas, já começam a acontecer. O julgamento do mensalão, o fim do voto secreto, a lei da ficha limpa, a proibição do nepotismo e tantos outros movimentos comprovam que o poder, efetivamente, emana do povo, e não de quem um dia foi por ele escolhido para representá-lo.

Felizmente, o sentimento de civismo volta a renascer no coração de milhares de brasileiros. O momento, aliás, é propício para reformularmos conceitos, lutarmos pelo bem comum, por uma sociedade mais justa, mas acima de tudo precisamos manter viva a nossa capacidade de indignação. Sem ela, jamais seremos capazes de escrever um novo futuro, um novo projeto de nação, que contemple a ética, a transparência e o respeito a nossa própria cidadania.

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Juiz Sérgio Luiz Junkes - Presidente da AMC (Associação dos Magistrados Catarinenses)

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