No momento em que a economia do Brasil caminha de lado e cheia de incertezas, com previsão de crescimento de pouco mais de 2% neste ano, o Nordeste ganha corpo na mira das empresas. O produto interno bruto da região no ano passado teve expansão de 3% — é pouco, mas foi mais que o triplo da média do país.
As empresas têm demonstrado uma certeza: quem quer crescer no país precisa estar no Nordeste. “A região responde por mais de 30% do consumo de cosméticos no Brasil e tem grande potencial de expansão”, disse Artur Grynbaum, presidente do Grupo Boticário. “Muitos dos produtos que lançamos pensando no consumidor nordestino viram sucessos nacionais.”
O poder de consumo nessa parte do Brasil tem muito espaço para evoluir. “Em cinco anos a classe média nordestina deverá superar os 50% da população”, diz Renato Meirelles, presidente da empresa de pesquisa Data Popular, que apresentou um estudo inédito no evento.
Os números são animadores: o poder de compra dos nordestinos já chega quase a 450 bilhões de reais, valor que corresponde à economia de países como Peru e República Checa. Apesar dos desafios estruturais, como logística precária e escassez de mão de obra qualificada, e dos problemas sociais, o otimismo predomina na região.
“As maiores oportunidades de negócio nos próximos anos estão em cidades médias, com até 500 mil habitantes”, disse Claudio Porto, presidente da consultoria de gestão Macroplan, que fez a palestra de abertura do fórum. “Atualmente, elas são a parte mais dinâmica do Nordeste.”
Potencial
O varejista Walmart identificou esse potencial há nove anos, quando comprou a rede Bompreço — empresa nordestina que pertencia ao grupo holandês Royal Ahold — por 300 milhões de dólares. Quase metade das 557 lojas do Walmart no país está na região. “Entramos no lugar certo, na hora certa”, disse José Rafael Vasquez, vice-presidente comercial do Walmart.
Os resultados obtidos justificam o foco da rede no Nordeste. Cerca de 28% da renda dos nordestinos é destinada à alimentação, enquanto a média nacional é de 24%. O Walmart tira bom proveito disso: enquanto o tíquete médio das compras em supermercados no país todo é de 19 reais, os nordestinos gastam em média 49 reais nas lojas do Walmart. “O Nordeste é outro Brasil”, afirmou Vasquez.
A superação do atraso gera muitas oportunidades. Foi o que notou o Banco Gerador, fundado há quatro anos em Pernambuco. Como apenas metade dos nordestinos é servida por bancos, a instituição trabalha justamente para atender quem não tem conta-corrente.
Recebe 1,5 milhão de pagamentos de títulos por mês nas 110 lojas Banorte, espécie de rede que oferece a pessoas físicas serviços como microcrédito, empréstimos e seguros. “Não temos a pretensão de competir com os grandes bancos”, afirma Paulo Dalla Nora, presidente do Banco Gerador.
Além de atuar com pessoas físicas no Banorte, o Gerador atende pequenas e médias empresas com negócios de até 50 milhões de reais. “Queremos o cliente que os grandes bancos não querem”, diz Dalla Nora.
A pesquisa do Data Popular aponta que o potencial de vendas no Nordeste, durante os próximos 12 meses, soma 1,2 milhão de imóveis, 1,6 milhão de carros e 1 milhão de motos. O levantamento ainda indicou que os nordestinos estão cada vez mais sofisticados. A região concentra a maior intenção de compra do país em itens como notebooks, smartphones e tablets.
Não é à toa que empresas como Samsung e LG têm voltado a atenção para a região. Mas produtos tradicionais, como máquinas de lavar e refrigeradores, ainda são objeto de desejo de muitos lares nordestinos. O mercado regional responde por 22% das vendas de linha branca do país.
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